ENFERMAGEM E SEUS SÍMBOLOS

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domingo, 10 de maio de 2009

1- Evolução Histórica da Enfermagem:
Segundo Collière(1989) existem três grandes etapas no histórico de enfermagem.Desde os primórdios da humanidade, que todos os cuidados, como refere Collière(1989) “ desde que surge a vida que existem cuidados porque é preciso” tomar conta” da vida para que ela possa permanecer”.Esses cuidados eram efectuados pelas mulheres, cujos conhecimentos eram transmitidos de geração em geração.
Após a Idade Média até ao fim do século XIX, a prática dos cuidados estava associada com a mulher consagrada. Esta praticava “trabalhos de caridade” que incluía alimentar famintos, visitar prisioneiros, etc. .Do início do século XX aos anos 60, a prática de cuidados era realizada pela mulher-enfermeira, auxiliar do médico.A enfermeira servil subordinada ao homem( médico), este delegava-lhe funções que considerava menos importantes.Segundo Strachey (1996) cit. por Lopes(2000)” as enfermeiras eram conhecidas, nos hospitais ingleses, pela sua conduta imoral e pouco fiável.”; os cuidados eram prestados por prostitutas ou prisioneiras.Assim começam os “Anos negros da enfermagem” em que os indivíduos que não conseguiam encontrar emprego, cuidavam dos doentes.Desde os anos 60, ocorreram vários estudos para o desenvolvimento da enfermagem, Nightingale cit. por Lopes contribuiu através de “uma atitude de ruptura com o que estava instituído até então, dado que, a par de defender a necessidade de formação defendia a delimitação de saberes e de actuação face aos médicos.

Foram desenvolvidas áreas a nível: do ensino, da prática, das condições laborais, da definição do papel de enfermagem e a sua imagem.A perspectiva de cuidar em enfermagem tem-se salientado nas últimas décadas, alterando assim a predominante orientação voltada para o tratar. Actualmente existem estas duas concepções se contrapõem, influenciando a prática.

Assim temos a concepção orientada para o tratar e outra orientada para o cuidar.

1.1-Orientações Dominantes em Enfermagem

1.1.1- Concepção Orientada para o Tratar:

Com a evolução das sociedades, verificou-se um avanço científico e tecnológico principalmente a partir dos finais do século XIX, influenciando a prestação de cuidados de saúde devido ao poder médico.No modelo biomédico: “O modelo de tratar, em que predomina uma orientação mais instrumental, resultou, em grande parte, de exigências de conhecimentos decorrentes do desenvolvimento da técnica médica, relacionada, sobretudo, com procedimentos de diagnóstico e terapêutica” (Maanen,1979; Cit. por Ribeiro, L.).Na concepção orientada para o tratar está implícito o Modelo Biomédico que possui as seguintes características, segundo Ribeiro et al.(1995):- o objectivo da actividade profissional centra-se no diagnóstico e no tratamento tentando atingir-se um objectivo final “a cura”.- o ser humano é considerado um ser biológico constituído por partes, sendo a homeostasia biológica igual a saúde.- a pessoa é vista como uma máquina existindo diversos especialistas, para reparar as partes dessa máquina.- a pessoa é considerada um sujeito passivo no processo de cuidar, na sua recuperação.

- o critério do sucesso dos cuidados é a cura, sendo considerada a qualidade máxima.. “A participação do doente é quase nula, já que a enfermeira tem tendência para centrar a actuação nos cuidados físicos (tratamento, higiene, arranjo do ambiente circundante) o que faz para o utente em vez de com o utente” (Colliére, 1989). A prioridade de cuidados baseia-se essencialmente na excelência de cuidados físicos em detrimento de outros cuidados que não são reconhecidos, ou não lhes é dada devida importância (actividades de competência relacional). “O processo de profissionalização das enfermeiras têm vindo a adoptar o modelo bio-médico, sendo os cuidados de enfermagem sobretudo os cuidados técnicos orientados e determinados pela doença” (Collière,1989)Assim, a actividade de enfermagem torna-se muito dependente e subordinada aos aspectos médicos e à sua prática, sendo influenciada essencialmente pelo objectivo da cura do doente.Apesar desta concepção ter dominado a prática de enfermagem durante vários anos, nomeadamente até à década de 70, hoje começa a ser questionada pois não satisfaz os profissionais de saúde, surgindo uma nova concepção orientada para o cuidar.Tal como refere Ribeiro(1995) cit. por Mendes,J. ”o cuidar é um imperativo imposto pela falência do tratar devendo estar presente ao longo do tratamento”.Assim surge a necessidade de aprofundar o estudo dos modelos próprios de enfermagem que valorizem uma intervenção orientada para o cuidar.

1.1.2- Concepção orientada para o cuidar:

Com a evolução e o desenvolvimento da profissão de enfermagem ao longo das últimas décadas surgiu a necessidade duma constante mudança imposta pela sociedade.A partir dos anos 80, conhecida como década do cuidar, devido “ao prolongamento da vida em doentes incuráveis e o aumento dos idosos constituem um desafio para as enfermeiras” (Meyer,1991; cit. Ribeiro, L. 1995).A partir desta década verificou-se que o tratar não satisfazia as necessidades destes doentes, era essencial algo mais para que o doente alcançasse um bem estar, não só físico, mas também moral, psicológico e social. Assim, surgiu uma perspectiva orientada para o cuidar.Esta concepção orientada para o Cuidar assenta numa visão holística do indivíduo em que a acção é centrada no utente como sujeito de cuidados, promovendo o seu bem estar, estando inserido numa perspectiva biopsicossociocultural. Esta orientação é utilizada segundo o “Modelo do Indivíduo Total” em alternativa ao Modelo Biomédico.
“O cuidar é, assim, algo de universal e de todos os tempos, podendo mesmo falar-se do cuidar natural como sendo uma atitude inerente a certas relações entre indivíduos, aí cabendo a relação mãe e filho”
(Fry,1989)O cuidar tem-se tornado um eixo central de reflexão e debate nestes últimos anos, na tentativa de clarificar este conceito foram realizados vários estudos de investigação, por diferentes autores. Sendo a Florence Nightingale, pioneira no processo reflexivo da disciplina de enfermagem demonstrou que distribuir medicamentos e fazer pensos não seria suficiente para assegurar a sobrevivência dos doentes, era necessário “desencadear tudo o que mobiliza a sua energia, o seu potencial de vida”.

Nightingale salientou o cuidar como algo de humano e de profundo. O cuidado para ela consiste no serviço à humanidade que se baseia na experiência e observação, ajudando a pessoa saudável ou doente a obter as melhores condições possíveis, de forma a que a natureza possa agir sobre este. Para Virgínia Henderson, o cuidar centra-se na independência da pessoa para a satisfação das suas necessidades básicas. “Ser enfermeira consiste em atender o indivíduo, são ou doente, na execução das actividades que contribuem o mais rapidamente possível para a sua saúde, restabelecimento e independência, ou para uma morte serena”
( Henderson V.,1966). Esta definição apela para o conceito de cuidar, como algo essencial à vida. Para Colliére, cuidar: “é um acto de vida, que tem primeiro e antes de tudo, como fim, permitir à vida continuar a desenvolver-se”
(Colliére, 1989). Está assim, relacionado com a ancestralidade remota da espécie humana. Os cuidados são desenvolvidos para cuidar da própria vida, pois só assim poderia permanecer a espécie. Posteriormente surgiram os conceitos de velar, cuidar e tomar conta. Estes são conjuntos de actos de vida individuais, que representam uma variedade infinita de actividades que visam manter, sustentar a vida, reproduzir-se permitindo perpetuar a vida do grupo. Cuidar é pois manter a vida garantindo a satisfação de um conjunto de necessidades indispensáveis à mesma. Cuidar é um acto individual que prestamos a nós próprios desde que adquirimos autonomia, mas é igualmente um acto de reciprocidade que somos levados a prestar a outra pessoa que tem temporariamente ou definitivamente necessidades de ajuda.

Colliére propõe duas naturezas diferentes de cuidados de enfermagem:

Os Cuidados quotidianos ou habituais, relacionados com a continuidade da vida, representam todos os cuidados permanentes e quotidianos para sustentá-la, reabastecendo-a em energia, seja de natureza alimentar a necessidade de água (hidratação, higiene), calor, luz ou de natureza afectiva, psicossocial, havendo interacção entre eles. Estes cuidados fundamentam-se em toda a espécie de hábitos de vida, costumes e crenças.
-Os Cuidados de reparação, encontram-se relacionados com a necessidade de reparar o que constitui obstáculos à vida. Permitem assegurar a continuidade da vida, quando esta se depara com obstáculos ou entraves, sendo os principais: a fome, a insuficiência de recursos em energia, doença, acidentes e guerra...Caso prevaleça o curar ao cuidar, ou seja, os cuidados de reparação aos cuidados quotidianos e habituais, ocorre a aniquilação progressiva de todas as forças vivas da pessoa, porque há esgotamento das fontes de energia vital. Esta aniquilação pode ir até à deterioração irreversível.
Para Mayeroff, no seu livro “On Caring” aborda o cuidar definindo: “cuidar é ajudar o outro a crescer e a realizar-se”, sendo este um processo uma forma de se relacionar com alguém.
McFarlane(1976), considera o cuidar como uma série de actividades de ajuda. (Kyle,1995)Segundo Griffin, que elabora uma análise filosófica do cuidar, este cita que cuidar:
”é uma característica estrutural do crescimento e desenvolvimento humano, sendo através dele que as pessoas podem manifestar a sua dimensão mais altruísta e solidária”. ( cit. por Constança Festas, 1999).
Para Simone Roach,“o cuidar embora não sendo único à enfermagem, no sentido de a distinguir das outras profissões, torna-se único, no sentido que, de entre as outras características descritas para a enfermagem, é considerado a sua essência, onde as outras características se integram e corporizam” . ( cit. por Constança Festas, 1999).
Para Janice Morse, o cuidar é visto em várias perspectivas: como um traço humano, como um imperativo moral; como um afecto; como uma relação interpessoal e como uma intervenção específica.O traço humano refere-se à capacidade de cuidar, que não é igual para todos os indivíduos, não sendo portanto uma característica uniforme. Considera também “que a capacidade de cuidar pode ser desenvolvida, despertada ou inibida, através da experiência educacional e principalmente pela presença de modelos de cuidar”. ( cit. por Constança Festas, 1999). Cuidar como imperativo moral é visto como uma adesão a um compromisso de manter a dignidade do indivíduo que necessita de cuidados contribuindo assim para a elaboração de todas as acções de enfermagem.Como um afecto, cuidar implica que haja um envolvimento emocional e/ou um sentimento empático para com a experiência do doente. Cuidar é uma relação interpessoal que personaliza a relação enfermeiro/cliente como o fundamento do cuidar humano ou meio pelo qual é expresso. Cuidar como uma intervenção específica ou terapêutica, pois envolve as condições necessárias para acções do cuidar, sendo algumas delas: ouvir atenciosamente, presença afectiva, tocar, competência técnica, ensinar ou defender o doente.
Segundo Dorothea Orem, o cuidar é um campo de conhecimento e de serviço humano que tende a cobrir as limitações da pessoa no exercício do auto cuidado relacionados com a sua saúde e reforçar as capacidades de autocuidado.Orem`s (1985), apresenta a teoria do auto-cuidado, na qual domina a prática de enfermagem, que pode ser descrita em actividades que providenciam o cuidar. Ela apresenta 5 métodos gerais de prestar ajuda ou assistência na qual se inclui, acção para ou fazer para o outro, orientá-lo, dar apoio e providenciar um ambiente que promove o desenvolvimento pessoal. (adaptado de Kyle, 1995).
Weiss (1988), propõe um modelo de cuidar que consiste em 3 componentes comportamentais: verbal, não verbal e técnico. Este foca um processo holístico do cuidar em enfermagem. Ela define o cuidar como um processo, que ocorre quando a enfermeira harmoniosamente demonstra 3 componentes do cuidar – cuidar verbal, cuidar não verbal e comportamentos técnicos. Para que o cuidar esteja presente é necessário estas 3 componentes coexistam..
Para Peplau, o cuidado é uma relação interpessoal, orientada com o objectivo de desenvolver a personalidade.
Segundo Imogene King, esta atribuí importância à interacção enfermeiro/cliente em que através de transacções pretende-se o atingir de metas mútuas.
Para Marta Rogers em 1970, salienta cuidar como algo que promove a harmonia entre o Homem e o ambiente ( Kérouac e outros 1994).
Segundo Leininger e Watson (citado por Roach,1993) afirmam que o cuidar é âmago da enfermagem, conceptualizando-a como a ciência humana , sendo o cuidar um domínio central e unificador.
Para Leininger, o cuidar é a essência da humanidade, sendo essencial para o desenvolvimento e sobrevivência humana. Sendo este um fenómeno universal que se expressa por acções de acordo com as diferentes culturas por parte de quem cuida e de quem é cuidado.Para a autora anteriormente mencionada “o foco mais unificado dominante e o centro intelectual e prático na enfermagem é o cuidar” e que “não há disciplina que esteja tão directa e intimamente envolvida com o cuidar, necessidades e comportamentos do que a disciplina de enfermagem”. (Servir, Vol. nº43, nº1). Leininger apresenta alguns pressupostos gerais em relação aos cuidados:
“Cuidar é enfermagem; Cuidar é o corpo e alma da enfermagem; cuidar é tratar; cuidar é poder; cuidar é curar; cuidar é essencial para a saúde e bem-estar das pessoas e para enfrentar a incapacidade e a morte”.
(Leininger, 1997)Estes pressupostos gerais conduzem ao desenvolvimento das seguintes premissas, que se encontram relacionadas com a teoria dos cuidados culturais (Enfermagem Transcultural) que esta defende:-Cuidar é a essência da enfermagem e o seu foco destacado, dominante, central e unificador.
-Cuidar é essencial para o bem-estar, a saúde, a cura, o crescimento , a sobrevivência e para fazer face às deficiências ou à morte.
-Cuidar é essencial para curar e sarar, ou seja, não há tratamento sem cuidados
A Enfermagem é uma disciplina de cuidados transcultural, humanística e científica, e uma profissão cujo objectivo central é servir os seres humanos em todo o mundo.
-Os Cuidados Culturais são o meio holístico mais amplo de conhecer, explicar, interpretar e predizer o fenómeno dos cuidados de enfermagem e, assim, orientar as práticas de cuidados de enfermagem.
-Cuidados de Enfermagem benéficos, saudáveis satisfatórios e culturalmente orientados contribuem para o bem-estar dos indivíduos, das famílias, dos grupos e das comunidades inseridas nos seus contextos ambientais.
( Leininger, 1997)

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